terça-feira, 8 de março de 2016

Metal Brasileiro: Luxúria de Lilith

Estava há tempos pensando em trazer dicas de bandas (principalmente brasileiras) para o blog, mas sabe como é, nestes últimos tempos eu não tive a oportunidade nem para ouvir algo (tipo o álbum Hordes of Chaos do Kreator que só eu fui ouvir inteiro nestes dias aí... '-'). Mas a partir de agora, sempre que descobrir bandas de qualidade eu corro para divulgar aqui, ok?

E bem... como hoje é o Dia Internacional da Mulher, e nós, como mulheres e feministas, não podemos deixar um dia desses passar em branco, afinal o dia de hoje é sinônimo de luta e igualdade de gêneros e, mesmo assim, estamos constantemente sendo ridicularizadas e diminuídas a "Marias Shampoo" simples e exclusivamente por ouvir metal... Além de termos nossa reputação valorizada apenas se formos inseridas num padrão de beleza. Numa cena extremista, machista e crente de que o mundo gira em torno de pênis, não pelo sol (por mais que a ciência diga o contrário)... Trouxe Luxúria de Lilith como um grande exemplo de música de qualidade, gutural (e em português) e de grrrl power, porque meus amores, tocar black metal e ser mulher infelizmente é quase desafiar a gravidade, principalmente do jeito que a cena está atualmente.

Apesar de formada primeiramente pelo Alysson Drakkar (é um homem ok ashuahus), a banda ainda é um exemplo de "inclusão feminina" no metal, até porque as pessoas só acham que mulheres só podem cantar/tocar música melódica e com vocais "limpos" ou instrumentos acústicos e tradicionais, o que não é uma verdade (inclusive eu particularmente não curto muito metal sinfônico/melódico). Não que isso seja um problema, mas mulheres podem muito mais do que apenas isso. Me entristece saber que há tantas bandas maravilhosas com mulheres cantando/tocando e não há o reconhecimento e babação de ovo que um playboy rebeldezinho fodedor de garotas e falador de merda tem. Claro, porque trata-se de um homem e, no mundo em que vivemos, o homem pode tudo, inclusive tem o direito de "ser feio pra caralho mas tocar muito". Mas se for uma mulher, o quesito beleza, independente do talento, irá contar fortemente, porque para os homens (não todos, é claro... mas infelizmente uma grande maioria) as mulheres não passam de meros objetos sexuais...

Mas  agora vamos falar da banda, que é formada desde meados de 1998 em Goiânia/GO e atualmente composta por Drakkar (ao meio, vocal, bateria), Larkarna (à esquerda, guitarra, vocais) e Arkana (à direita, baixo) e possuem no total 4 álbuns oficiais, sendo que tem mais um para lançar neste ano (Lilitus), que está em produção desde 2014 (prevejo coisas boas). Geralmente a abordagem é sobre vampirismo, ocultismo, sexo, morte, um pouco de misantropia e um satanismo não óbvio, o que gosto bastante porque eu simplesmente odeio aquelas coisas como "vamos estuprar jesus", aff vai tomar no cu, que coisa de criança retardada... Adoro músicas que relacionam temas tabu de uma forma poética e sem cair no cliché, porque convenhamos, ninguém aguenta mais aquela chatice de tudo ser jesus e satanás pisa na cabeça de jesus e zzzZZZZzzzz... Morri de tédio.

Toda a discografia, incluindo álbuns, demos e eps, singles e tudo (é que eu amo as capas hehehe)
Dentro do black metal é comum temas bem tabus serem abordados, mas sempre da mesma forma, o que o torna enjoativo! É sempre a mesma merda! Assim não dá! E falando em abordagem uma coisa que a banda tem de sobra é personalidade. Nas letras os temas são bem evidentes, mas são abordados de forma única (e com sonoridade única também). Sinto que as músicas soam bem góticas por sinal, o que eu gosto bastante e talvez seja esse o diferencial, o que a torna única. Bem, na minha opinião é uma das melhores bandas de metal do Brasil, porque personalidade não falta, conteúdo de qualidade de sobra, além de uma vasta discografia, talento a beça e, para aqueles que falam merda, é porque não entendem que música, acima de tudo, é uma arte, portanto engulam isso: arte não tem limites. Pessoas que só consideram que uma banda seja de qualidade se esta seguir padrões musicais já estabelecidos são pessoas limitadas, tanto racional quanto criativamente falando.

Sobre o que eu sei da banda, confesso que conheci há pouquíssimo tempo (em outubro de 2015 para ser mais precisa), mas desde que a ouvi me apaixonei pela sonoridade e já ouvi os 4 álbuns, sendo o meu preferido A Volúpia Infernal, que inclusive deixarei o vídeo do álbum aqui para vocês:



Minha música favorita é Desejos Infames. A melodia é fantástica! Para quem curte black metal, vale a pena ouvir os demais, não vão se arrepender. Enfim, espero que tenham gostado. Pretendo trazer mais algumas em breve.

Beijos!

2 comentários:

  1. Adorei o post!
    Super concordo com o que você disse. Realmente, ser mulher nessa cena não é fácil. As pessoas estão pouco se lixando se a mulher tem talento, só a """aceitam""" se ela estiver dentro dos padrões de beleza que eles estabelecem. Isso é chato pra caramba. E sobre o que você falou sobre as letras de black metal, eu super concordo.. é sempre a mesma coisa. Muito chato.. rs
    Não ouvi o álbum inteiro que você postou, só um pedaço, mas curti bastante ^^
    bjin

    http://monevenzel.blogspot.com.br/

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  2. Salve Madessy, ótima resenha!
    Aquele abraço de Alysson Drakkar e Luxúria de Lillith!
    Desde 1998 fazendo arte obscura e muito Black Metal.
    www.luxuriadelillith.com

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