quarta-feira, 20 de abril de 2016

Sobre ser gótico/alternativo no interior

Perdoem-me mil vezes pela ausência, é que tô naquela correria de achar apartamento, aluguel, fiador, transporte e ainda minhas emoções estão a mil. Estou naquela fase bem delicada e fico hiper estressada, não tenho ideias para fazer muitas coisas e a faculdade mal começou e já está me consumindo com horrores de desenhos pra fazer. Mas, como essa semana eu vou voltar para São Paulo (nunca senti tanta falta de São Paulo na minha vida) para passar o feriadão resolvi dar um tempo nos estudos aqui para trazer algumas primeiras impressões que estou tendo neste primeiro mês morando no interior de SP e claro: na visão de alguém alternativo.

Primeiramente, Bauru não é uma cidade pequena. Tem 300.000 habitantes, mas mesmo assim não chega nem aos pés da população da capital de SP (que beira a milhões), portanto pra mim é uma cidade pequena. Aqui boa parte dos "habitantes" são estudantes, que são atraídos principalmente das cidades vizinhas de Jaú, Ibitinga, Agudos e etc... Então da-lhe gente de fora aqui em Bauru. Aqui tem USP, Unesp, USC, Unip, Anhanguera e outras faculdades, então quem mora em cidades extremamente pequenas vem para Bauru estudar (alguns até assustam, pois viajam de ônibus fretado 2 horas ou mais todos os dias para estudar). Enfim, perceberam que Bauru é dos jovens em sua maioria!

Mas por incrível que pareça, a cena alternativa daqui é INEXISTENTE. Não vi ninguém alternativo mesmo pra falar a verdade. Geralmente é o pessoal de artes visuais da Unesp que é um público mais "descolado" digamos assim, uns hipsters descoladões... Mas não falam com ninguém. Hiper anti sociais. Eles conseguiram me ultrapassar no quesito o qual eu sou campeã. Do design gráfico alguns são hiper antipáticos, elitistas e "não me toquem, pois somos melhores que você"... Pessoal fuma pra caralho, bebe pra cacete mas não fala uma merda que preste... a não ser ficar falando de festas tal e tal ZZZzzzzZZZ Bem eu sou A ÚNICA goth bitch na Unesp do período noturno. E isso de certa forma me entristece bastante, afinal fico bem na margem em relação a festas e tal... Sempre é aquela mesmice. Aqui a vibe é sertanejo/eletrônica/funk e cês sabem né? Isso resulta bem naquelas festa hetero CHATA PRA CARALHOO (odeio heteros ajsuihaushuah aquelas) que aqueles moleque não sai do seu pé falando merda o tempo todo.... a música chata pra cacete... mas que bagulho chato!

Me retirando
O que eu gosto no meu curso é que tem gente de idades diversas, então o pessoal é mais maduro e consequentemente as opiniões também são mais maduras. Há muitas feministas em sala de aula e isso é ótimo! Há também umas fãs revoltadas, mas isso tem em todo lugar né non? Boa parte da minha sala é composta por garotos! E isso me surpreendeu. Além disso eles são sussa então da minha sala não há o que reclamar.

Porém no geral... eu bato na mesma tecla quando o assunto é ser alternativo. Aqui as pessoas acham que "ser alternativo" é ter um bebelo coloridinho e vestir umas roupinhas diferentes, botar um piercing no septo e fumar um cigarrinho, postar fotos preto e branco no instagram e pronto. Poxa vamo aplaudir até com os pé... nossa que alternativo você é hein parça! Na verdade, boa parte dos alunos da Unesp daqui de Bauru são... bem... filhinhos de papai mesmo, mãe faz panelaço, manja? jiajsiajisjaisjij Povo é medíocre mesmo. Ostenta visual que mamãe comprou e paga de fodão... Sobre as Góticas suave até agora não vi nenhuma não... É provável que exista, mas não sei aonde achá-las. Talvez em Pubs que tocam indie provavelmente deve ter algo do tipo. Vi só uma mina de batom preto mas provavelmente não era uma gótica suave. Não achei punks, esperava encontrá-los por aqui, mas... não :(

Eu todos os dias.
Tem dias que eu saio muito trevas (o que pra mim é extremamente normal, como eu disse à miga Jaquelinda) mas para as pessoas daqui é assustador, parece que estão vendo um extraterrestre ahsuiahsuhaushaus só pode... E sim: as pessoas perguntam se eu faço pacto ou se sou gótica haushuashuashau nada mais esperado... Tipo: oi vc é satanista? Vc faz pacto? Vc é gótica mesmo né? Não migos isso é uma visagem. E sim eu faço pacto. Bem, eu até dou risada das situações, porque realmente é algo "novo" por aqui pelo jeito. Quando eu entro no ônibus eu sou o centro das atenções, o que me dá raiva às vezes, pois não me visto pra chamar atenção, me visto assim porque gosto. E FODA-SE. Mas fazer o quê? Quanto mais falam mais trevas eu me visto. E se reclamar eu vou toda maquiada e trabalhada na capirotagem sim! E pra vocês as top 10 questionário de rua foram:

  1. Como você consegue usar preto neste calor/cosplay de inferno?
  2. Você é gótica?
  3. Suas roupas são todas pretas?
  4. Como é ser gótica?
  5. Há quanto tempo você se veste assim?
  6. Essa roupa não esquenta não?
  7. Você é satanista?
  8. Você ouve rock?
  9. Esse cabelo é todo seu?
  10. Você é de SP né?
Para descontrair... hjahahahhaha! 

A única coisa legal que fiz até agora foi ter realizado o sonho de ir no show do Sepultura!!! HÁ! Eles vieram para Bauru e tocaram no SESC daqui por 15 reais (pra estudante), que pra mim foi de graça afinal adoro Sepultura. Muita gente foi no show, mas boa parte da cena metal de Bauru não é de Bauru. Eu fui com as minhas novas amigas que também são de Sampa e arrastei para elas irem comigo. Ao menos elas gostam de Sepultura também hahahaa então foi muito bom! *-*

Bem este é o resumo da ópera. E venho trazer mais novidades assim que puder.
Beijos!!!

11 comentários:

  1. Olha, se eu lesse esse post umas duas semanas atrás eu não acreditaria, mas agora me mudei pra Porto Alegre para fazer uma pós e me vi exatamente na mesma situação! É tipo chocante ver um local sem uma cena alternativa, parece que ta incompleto.

    E o curso, ta sendo o que vc esperava?
    Boa semana :*

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    1. Luda, eu conheço um pouco Porto Alegre! Tem cena alt aí sim, aliás a cena rock aí é bem desenvolvida (não sei se é teu estilo). Acredito que aos poucos você vai encontrando esses lugares :)

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  2. Madessy, imagina, se Bauru tem 300 mil habitantes, a cidade que cresci tinha perto de 100 mil. E a cena alt lá era minúscula. Sempre que eu digo pra alguém de SP que ser alternativo no interior é super complicado, tanto pela falta de eventos quanto pela falta de visual, quanto pelo proconceito, meus amigos paulistanos duvidavam. Eu já morei em SP - Capital e por mais que os paulistanos reclamem, São Paulo é SIM uma cidade com muito mais liberdade, menos preconceito e mais opções e muito boa pra alternativos. Viver no interior - na verdade, fora do eixo Rio/SP - é bem dificil pra quem é diferente. Eu fico aqui no meu cantinho vendo o pessoal de SP reclamar e fico pensando: pôxa, eles tem cena em SP porque não aproveitam pra serem felizes? Tudo que um interiorano alternativo quer é morar em SP e quem mora lá só reclama? Não sei porque isso acontece, mas na minha visão. vcs de SP tem tudo, talvez só precisem enxergar os lados bons daí. Sobre os tipinhos: normalmente pessoal que estuda a noite é mais"maduro". Talvez os que você não encontra - tipo as suaves - estudem de manhã.Cidade do interior costuma ter ao menos 1 point de rock, onde todos os tipos se reúnem (de metal a punk) por falta de opção. Quem sabe vc não achou ainda esse point? Sobre andar de preto: o povo do interior olha mesmo, mas é algo que me habituei de tanto morar em cidade pequena, acho estranho é quando não olham kkkk
    E me tira uma dúvida, com o quê um designer gráfico pode trabalhar?
    E uma coisa: aproveite muito essa época, é uma das melhores da vida :D

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  3. Moro numa cidade com 12.000 (!!!!!!!!!!) almas, então compreendo seu drama como ninguém haha! É dura essa vida de gótico do interior.
    Parabéns pelo blog, bjos!

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  4. Sana sua linda! Sempre me confortam seus comentários. <3 Eu penso que o problema de São Paulo foi justamente o que eu disse há um tempo em um posto por aqui: o pessoal não se une. Isso dá uma raiva tremenda! Cada um vive em seu mundinho e suas panelinhas e foda-se o resto. São Paulo realmente tem uma cena alternativa bem desenvolvida, mas falta socialização e amizade por parte dos próprios. É tenso... Fora que a cena está a cada dia mais elitizada, pelo menos em SP. Você vê que o pessoal tá cagando para a música em si e os ideais que envolvem e compõem o meio alternativo, o que eles querem mesmo é ostentar visual trevas mesmo... só. Infelizmente... :(

    O pessoal do diurno é bacana também. O pessoal do noturno é mais diversificado, concordo! Tem mais gente com mais idade e isso consequentemente faz uma turma mais madura. Mas alguém que se porte e vista como tal não tem mesmo...

    Points de "rock" aqui em Bauru tem o Jack e o Exílio (que descobri que tem punk rock e goth rock lá também), mas é difícil rolar uma festa por lá viu e o Jack toca de tudo também... :( aqui o pessoal quer saber mais de eletrônica e pop, daí já desanimo. Vai ter um festival punk dia 7 de maio, mas nem sei quem convidar, ninguém manja destes paranauês na minha sala. Ah, sobre usar preto, se em SP eu já ouvia essas coisas e via olhares tortos, imagine aqui... tô acostumada também haushuaahsuahs

    Ah o designer trabalha com tudooo Sana!!!! Desde fotografia a comunicação visual, criação de produtos, rótulos, capas de CD e revistas, impressos, ilustração, desenho, pintura digital, web design, direção de arte... tem muita coisa no design, é bem amplo. Eu estou gostando bastante do curso em si. <3

    Ah sim! Sem dúvida quero aproveitar bastantão! *-* Espero!

    Beeejo!

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    1. Madaha, faz tempo que não moro mais em Sampa, não faço a mínima ideia do modo como as pessoas lá estão se comportando. Ficar mais velha e sendo alternativa é um desafio pessoal tremendo pra mim, mesmo hoje eu não sendo de cena nenhuma por falta de identificação e de paciência. Tipo é super normal hoje uma pessoa usar visual alt e não ser alt, e isso confunde minha cabeça rsrs. Na minha cidade do interior tinha apenas 1 point de rock, mas tinha uma praça que os alts se reuniam, e sempre que tinha festa na cidade, até quermesse, vc via um povo se divertindo,na falta de opção,eles se divertiam com qquer coisa kkkkk
      Nossa que legal, não sabia dessa versatilidade do designer, então tem que ser uma pessoa com criativdade né?
      bjs!!

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  5. Cara, a cidade onde eu moro deve ter 50 mil habitantes, eu tenho um visual meio andrógino, então imagina minha situação '-'
    Só namoro um cara alternativo pq ele veio de outro estado kkkk
    Ai, vc falando assim da faculdade me deu uma saudadiinha de quem eu ia pra facul! Estou quase me formando mas já terminei todas as matérias faz tempo, estou naquela coisa de correr atrás de horas complementares, estágio e TCC.

    Ah, apesar de morar no Tocantins, já fui num show do Sepultura de graça e foi muito foda.
    Bjos, boa sorte nessa fase nova :*

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  6. Não é só no interior que o pessoal de artes visuais é "hipster anti social", na minha faculdade também são exatamente assim (e olha que fica bem no centro de SP haha)
    Apesar dos pesares, tudo de bom na faculdade. Isso é um ponto que compensa qualquer coisa haha

    Voltei a blogar <3
    Alternativa GG

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  7. Eu era "gótica" na minha adolescência. Na verdade me intitulava Dark. Minha cidade tem 50 mil habitantes, e interior é foda.
    Até hj as pessoas olham pra mim estranhamente e só porque tenho cabelo vermelho. As roupas tive que me adaptar devido a trabalho e outras coisas. É complicado, somos minoria.

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  8. É foda isso de ser alt em cidade pequena, aqui tem umas 17.000 cabeças +/- e sou praticamente a única da cidade com um visual menos convencional... ainda tem os que olham torto, mas depois de quase 10 anos nessa de ser alternativo, a maioria prece que já se acostumou com minha presença hueuhehue mas a pior pate de todas é não ter eventos, ai me monto pra ficar em casa mesmo, é a vida...
    Mas enfim, espero que essa nova fase da sua vida valha a pena que vc aproveite bastante. bjão!

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  9. Olha, BH não é exatamente uma cidade de interior né.. rs
    Mas mesmo sendo a capital do estado, Minas, de forma Geral, é bem conservadora, então eu consigo imaginar pelo que você está passando.. rs
    Aqui tem poucos lugares para alternativos frequentarem. Não tão poucos quanto cidades interioranas, mas também não é uma São Paulo da vida. E acredito que o que acontece aqui é justamente o que acontece em SP (pelo que tenho visto): panelinhas, desunião, um querendo ser/aparecer mais que o outro e foda-se as pessoas em si, foda-se o ser alternativo de verdade. Faz tempo que parei de frequentar a cena daqui justamente por isso. Mesmo não sendo muito grande, tinha tudo pra ser bacana, mas é muita inveja, muita fofoca, muita intriga. Eu mesma já fui vítima dessas coisas por aqui. Aí cansei. Mas enfim, espero que com o passar do tempo você ache mais companhias por aí. E não deixa de ir em nenhum evento só por não ter quem chamar não. Vai sozinha mesmo, aposto que chegando lá você passa a conhecer outras pessoas ^^
    bjin

    http://monevenzel.blogspot.com.br/

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