quarta-feira, 1 de abril de 2015

Como é ser negra e alternativa?

Negra Alternativa, Gótica, Headbanger
Amanda Tea

Oi, oi! Eu tô cheia de posts para trazer para cá (e não é mentira, ok?), o único problema é tempo para bater fotos e tal. Não está rolando, de verdade, por isso a demora. Além disso estou um pouco em crise de fibromialgia, portanto estou em cima da cama, mas fora isso, estou bem hahahaha! Bom... Estou escrevendo este post de tema duvidoso pela dúvida de algumas pessoas, pela vida. E isso é até uma dúvida que eu tinha antes de começar a me interessar pelo mundo alternativo. Sim, não parece, mas é muito estranho ser negra e alternativa, principalmente em um mundo como o nosso, em que a primeira modelo negra alternativa foi aparecer em uma capa de uma revista alternativa apenas em fevereiro deste ano (2015). Tenso, não? Além de ser fora de padrão (leia-se negra, asiática ou gorda), ser alternativa é sofrer preconceito duplicado.

E eu digo isso por experiência própria. Eu tinha receio de mim mesma, porque além de ser preta, eu tinha aquele medo terrível das pessoas acharem que eu era "feia" para usar piercings e ter cabelo colorido ou sei lá o que. E realmente, as pessoas achavam mesmo. Quando eu falava que sonhava em pintar o cabelo de rosa ou azul para minhas "amigas", elas soltavam uma gargalhada em coro, falando que não ficaria legal em mim, porque meu cabelo não era liso e porque eu era escura demais para pintá-lo.

Negra Alternativa, Gótica, Headbanger
Dolly Vicious

Acho que é por isso que muita gente, principalmente as pessoas que não pertence ao mundo alternativo questionam por aí o porquê que não existem "negras rockeiras". E se vocês querem saber, as pessoas ainda estranham o meu gosto "peculiar". Muita gente fala o porquê que eu me interesso por um estilo de vida que "não pertence à minha etnia". Tipo: oi? Existe determinada cor para ouvir música agora? E tem gente que fala que eu sou "preconceituosa comigo mesma", porque eu não gosto de sambar, não gosto de pagode e não me identifico com as "mulatas do samba". Eu nem perco o meu tempo com essas pessoas. Só digo para elas estudarem a história do rock n' roll e do Chuck Berry, pronto.

Na verdade, existem sim MUITAS meninas negras que curtem metal/rock, mas como MUITAS das modelos alternativas que vemos todos os dias são brancas, não há uma "inspiração" para as meninas negras. Talvez seja por isso que a maioria das poucas meninas negras alternativas alisa os cabelos. Não conheço nenhuma modelo que tenha os seus cabelos naturais. A Dolly Vicious, dificilmente está com o cabelo natural. A Black Silk e a Amanda Tea, nunca vi nenhuma das duas usando os cabelos naturais. Sempre estão com perucas ou alisamentos. Nada contra as perucas ou com os alisamentos, o cabelo é delas e elas fazem com ele o que elas quiserem. O problema é quando querer utilizar o cabelo natural aparenta fugir daquele padrãozinho que é exibido desde os tempos de Orkut. Sabe aquelas fotos daquelas moças brancas feito papel, com os cabelos longos, lisos e pretos e de corpo perfeito, talvez segurando uma rosa nas mãos? Tipo isso. Será mesmo que a gente tem que ser igual aquela moça para provar ao mundo que você segue, por exemplo, o estilo gótico?

Negra Alternativa, Gótica, Headbanger
Dolly Vicious

Quando as pessoas me perguntam sobre a experiência de ser negra e alternativa, eu digo a elas que é viver entre a espada e a cruz, em um mundo paralelo. É como ser mestiço. Ninguém sabe se tu é branco escuro ou preto claro, sacas? Muita gente diz que você é maluca, muito grupinho que se diz tr00 vai se afastar de você por achar que você é poser, muita gente vai ficar te questionando sobre a camiseta que está usando porque não acreditam que você ouve tal tipo de música, vão te perguntar todos os álbuns de determinada banda. Eu já digo, ser negra e alternativa é extremamente foda. Em todos os sentidos. Não é querer se vangloriar (jamais), mas eu acho de uma personalidade imensa, mais ainda do que para as meninas brancas. É encarar de frente tanto o mainstream quanto o mundo alternativo (que segue o mainstream mas "não percebe").

Negra Alternativa, Gótica, Headbanger
Black Silk

Quando encontro uma menina negra na rua, fico olhando de pé a cabeça, querendo fazer amizade, mas nem sempre rola, porque tá todo mundo com pressa. É tão triste morar em SP. Enfim, acho que é isso. É questão de ter personalidade, não ligar muito para o que as pessoas dizem e principalmente se identificar com as subculturas. Também não adianta de nada você sair por aí vestida(o) de algo que não te representa só para chamar atenção dos outros. Se arrumar para você mesma(o) é essencial. Se você se identifica e tem "coragem", por que não?

Negra Alternativa, Gótica, Headbanger
Danas Dinnertable

Enfim, é apenas isso.
Beijos!

2 comentários:

  1. Esse com certeza é um dos estereótipos que eu nunca vou entender. Como você mesma disse, quer dizer que agora pra ouvir x música você tem que ser de x cor? Não sei de onde saiu essa ideia absurda!
    Ser alternativa, na minha opinião, está relacionado muito mais as atitudes de alguém do que a estilo e, principalmente, do que a cor de alguém.
    Esse povo é muito sem noção...
    Adorei o texto!
    bjin

    http://monevenzel.blogspot.com.br/

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  2. Já ouvi muito "Você é negra,não pode isso,aquilo e aquele outro,você é racista só fica com cara branco"-se lutamos por igualdade dentro da diversidade,porque cargas d'agua ainda há esse esteriotipação?Não curto rótulos e na boa,quem vive deles deve sinceramente fazer uma auto-avalização e rever seus próprios conceitos,sendo alternativo ou não.

    Bjs

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