sábado, 12 de dezembro de 2015

A realidade sobre cena alternativa de São Paulo

Muitas vezes eu vejo por aí as pessoas falando que é difícil ser alternativo em cidades pequenas, porque o bafafá é grande e muitas vezes (senão sempre) você vira motivo de piada. Algumas destas mesmas pessoas costumam falar também que é mais fácil ser alternativo em cidades grandes e metrópoles, pois a aglomeração de pessoas é maior e, consequentemente, há mais pessoas da cena, o que facilita a tolerância pelos demais. Certo?

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Até aí tá até que certo... na teoria. Tá, aqui em São Paulo tem sim uma cena bem presente. Me arrisco a dizer que a cada quinze pessoas que eu vejo pelo menos uma é, visualmente falando, pertencente de alguma "tribo urbana". Seja gótica, punk, headbanger (estes últimos principalmente), hipsters e rockabilly aqui é até que fácil encontrar. As pessoas são acostumadas sim, mas uma coisa que eu necessito informar a vocês: principalmente a quem não mora na zona metropolitana de São Paulo é que o povo aqui é bem desunido! Na verdade as pessoas vivem cada um em sua vida, assim como as outras pessoas que "se vestem normal". Não é flores como vocês imaginam não.

Ultimamente as pessoas estão muito seletivas, e quando digo "seletivas" me refiro a um modo geral. Antigamente era bem comum encontrarmos estes encontrinhos que hoje a Rúbia (Nosferotika) trouxe de volta das trevas (é um revival! Continue fazendo, sempre!) e, hoje em dia é raridade. Na Rua Augusta, um dos ponto de encontro dos góticos de SP, virou alvo de um público bem chatinho, se é que vocês me entendem. Baladinhas caras e sem graça, muito mimimi nas calçadas e criancinhas de 14 anos sendo paradas pela polícia... parte engraçada do rolê. Sei lá, não há mais "música" no contexto, mas sim visual, e quando me refiro ao visual, acrescente um padrãozinho de beleza em cima. Sim, aqui a cena está cada vez mais conservadora e superficial.

Tem dias que eu fico pensando: cara que porra essas pessoas estão fazendo misturadas ao público alternativo? Que que elas querem aqui? Ou eu sou muito estranha ou o mundo está perdido mesmo. Eu, sinceramente tenho poucos amigos alternativos... Eu até parei de andar em bandos, porque sinceramente a cada dia que passa a gente encontra um rebelde reacionário pagando de fodão. Isso é patético e me faz dormir, prefiro assistir um culto evangélico.

Bem, a ideia não era destruir a cena de São Paulo, até porque salvemos as beldades que encontramos por aí e pela blogosfera, né não? Muitxs meninxs representando a cena alternativa com vigor. Mas a ideia mesmo era mostrar que não tem a desculpa de  não se montar porque você mora em cidade pequena, porque julgamento tu vai ter em qualquer lugar. Desencanem dessa ideia que morar numa cidade grande irá resolver seu problema que não vai... Sejam felizes, da forma que vocês são, aonde puderem, porque hoje em dia a coisa tá bem feia.

Espero que tenha sido útil!
Beijos!

5 comentários:

  1. O problema nem é de hoje e essa desunião vem de anos, e infelizmente vem da cena Gótica/Metal em qualquer cidade ou metrópole.Nasci e cresci numa cidade pequena,que está dentro de uma região metropolitana, a cena aqui é seletiva,elitista e quem critica a conduta de uma determinada festa é bombardeado. Sobrou apenas uma festa temática aqui na cidade (festa gótica),onde muitos egos brigam entre si...depois que o bar mais democrático da cidade fechou em 2009,pessoas se diluíram em seus grupos e em seus Mundos.Pessoas com a sua idade não sabem infelizmente o que foi a cena aqui,e é triste afirmar que faz apenas 10 anos.Nunca tive esse pensamento fixo de que morar em cidade grande é um primor,já morei e não era,mas não absorver a negatividade da cena ajuda muito a aproveita-la...isso funciona no mundo alternativo quando no mainstream.O que muda de uma cidade pequena para uma metrópole é o leque de opções,se você não gosta de um lugar não o frequenta,no interior muitas vezes não temos essa opção e nem sempre dá para recorrer a um plano B.

    O que vejo em determinados bares é o seguinte: o bar que acolhe melhor proporciona diversão,o que há muita seleção proporciona status, e a cena fica dividida nisso.É muito difícil uma aproximação e interação com as pessoas nesses lugares,pois já tem as panelinhas e quem é ''novo'' ou fica muito tempo afastado da cena é totalmente colocado de lado.Para finalizar o que posso afirmar,é que a vantagem de morar em cidade pequena,é que há muitos eventos de temporada e a união e fraternidade é muito maior do que num evento mensal ou semanal.

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  2. Madaha, já morei tanto no interior quanto na capital (SP) e na minha vivência, em termos de visual, no interior me encaram de forma mais fixa do que na capital. E no interior os visuais costumam ser mais simples (ao menos na cidade em que eu morava). Vão te encarar em qualquer lugar, mas não é pra isso mesmo que somos alternativos? Pra destoar da multidão? Mostrar pelo visu que somos "diferentes"? Então... se eu saio na rua e ninguém me encara com certeza é porque há algo errado comigo. E eu fico com neura pensando: "será que normalizei? Sai desse corpo que não te pertence!" kkkkkkkk
    Na questão da desunião, acabei de postar no blog um post onde num determinado parágrafo questiono isso: será a desunião atual da cena uma característica do estilo de vida pós moderno onde nada é fixo e tudo é descartável (até as amizades)? Aguardo respostas ainda, porque não sei... Mas na cidade do interior que eu morava tem uma praça em que o pessoal alt se reúne, e dá pra ir lá se apresentar e talvez rolar amizade. Eu fico encantada com isso!
    Sobre o encontrinho da Rúbia, só não vou porque moro no Sul, senão já tinha ido :D
    Eu tenho poucos amigos alts da minha idade... os alts que interajo são pessoas mais novas que eu e em alguns momentos tenho dificuldade de entender algumas coisas dessa geração mais nova. São muitas nuances e facetas diversas a interpretar. É interessante, mas às vezes contraditório. Seres complexos estes hein??

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  3. Muito amor nesse post.
    Muito amor por esse layout. Cada dia que passa te amo mais viu viado. UHEWUEHUEHUEH Faz tempo que não passo por aqui, tô inlovisssssssssssss!
    Baladas caras, gente flopada e metida... não é a toa que fico curtindo meus ebm em casa, viu? Juro.
    De vez em quando um encontrinho ou um rolezinho faz até bem mas sinceramente, tá desnecessário, muito dinheiro gasto pra passar muito nervoso. Os "olds" da cena sendo babacas e querendo se reafirmar numa cena que atualmente é praticamente inexistente. Tudo agora é uma luta de egos, tão se incomodando muito com o goticismo mainstream, com a inclusão de pessoas mais novas na subcultura. Não é mais subcultura, é panelinha.
    Que a gente se divirta como puder, então!
    Bêzo! ♥

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  4. Oi D. Madaha!
    Vc falou bem e falou certo! As pessoas julgam muito os encontros que o pessoal organiza, e muitas vezes só funciona a fórmula "tal pessoa que organizou em tal lugar", o que acho um horror! E dae? deixa o povo se encontrar! Qualquer lugar, hoje, é lugar onde poucas pessoas da subcultura conseguem se ver, não importa se é interior ou capital.
    Eu fico meio chateada quando vou num encontro que não tem muita gente que conheço - às vezes não tem ninguém - e as pessoas não baixam a guarda. Dá uma sensação ruim, e não deveria ser assim, afinal se a pessoa está ali ela se sente parecido com vc e quer fazer parte tb.
    Boa reflexão!
    Feliz ano novo e beijão!

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  5. Infelizmente não é só em São Paulo isso não viu Madaha..
    Aqui em BH a cena ultimamente só vive de aparências também. E é sempre um querendo aparecer mais que o outro, ter mais status que o outro. Também vivo me perguntando onde tá a alternatividade desse povo...
    Esse seu post casa bem com um da Sana que eu tava lendo no MdS.
    E sobre esse medo de julgamentos, também acho bobo. A nossa intenção não é mesmo ser diferente? Então porque o povo fica com esse medo todo, né!? Às vezes não entendo. Juro.
    Mas enfim, adorei o post!
    bjin

    http://monevenzel.blogspot.com.br/

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